Quase todo mundo já passou por isso. Você está mascando um chiclete alegremente quando, de repente, engole o doce sem querer – ou ao ser pego no flagra pelo professor na sala de aula, ou talvez lutar contra um inocente soluço. E então, uma voz da infância volta a ecoar na mente: “Não engula o chiclete – ele vai ficar preso na sua barriga por sete anos!”. Enquanto a goma refrescante se encaminha para o abismo digestivo, você começa a pensar se a “profecia” seria mesmo verdadeira.

Mas não se preocupe. Essa crença folclórica de origem desconhecida, porém famosa no mundo inteiro, não tem qualquer base. Ao ser perguntado se o boato não tinha fundamento médico, o gastroenterologista pediátrico David Milov, da Clínica Infantil Nemours, em Orlando, nos Estados Unidos, responde: “Posso lhe afirmar com toda a certeza.”

Então, o que acontece com o chiclete que foi mastigado, mas não cuspido? Nada de mais. Parte dos ingredientes, como os adoçantes, é decomposta, mas a base da goma de mascar é, em grande parte, não digerível. A Food and Drug Administration (FDA), órgão do governo americano que regulamenta a área de alimentação e medicamentos, define a base do chiclete como uma “substância mastigável não-nutritiva”, que pode ser composta por um número variável de elastômeros – materiais parecidos com borracha – naturais ou sintéticos, assim como amaciantes, resinas e conservantes e antioxidantes. Os elastômeros permitidos incluem chicle, uma goma natural originária de uma árvore, que era mascada por índios da América Central, e a menos tradicional borracha de butila, que também entra na fabricação de câmaras de ar de pneus.

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